lunes, diciembre 31, 2007

Eis que chegam as festas de fim de ano...

...E a falsidade das pessoas é realçada em cada gesto cretino, em cada sorriso forçado e em cada ato cínico disfarçado de filantropia. O espírito natalino parece encobrir, como um manto podre, a mesquinhez do ser humano, que se regozija da tal celebração para fazer valer toda a pobreza de sua alma.

Celebra-se o nascimento de um mártir. Tudo bem, é o que digo. Mas será que realmente é cabível toda essa presepada para lembrar o surgimento de mais um entre tantos mártires da história humana? Cristo, de fato, foi um homem ímpar, uma pessoa que teve peito para contestar tudo e todos em sua época, não medindo esforços para lutar em prol do que acreditava. Todavia, pergunto: esqueceram que outros e outros homens possuíram as mesmas características e a mesma determinação do tal Jesus? Por que, entre tantos revolucionários da história, apenas um foi levado à categoria de semi-divindade? Por que nomes como Lutero, Lamarca e até mesmo Guevara e Antônio Conselheiro também não são celebrados nas putarias natalinas?

Em verdade, na minha franca opinião, nenhum ser humano deve ser elevado à categoria de deus; até mesmo porque um deus não existe; existem apenas projeções estereotipadas da nossa fraqueza e da nossa estupidez. O homem criou deus... o medo e a ignorância geraram a divindade.

O que quero dizer, de fato, é que nada justifica tamanha festividade e tamanho reboliço. O homem Cristo foi mais um homem, como sou eu, como é você, como somos todos nós...e pronto. E, sinceramente, se cada mártir merecesse ser lembrado à maneira natalina, estaríamos, no mínimo, mais gordos de tanto chester...

...

O tal teatro da cretinice me pareceu menos cômico e mais triste enquanto eu andava pelas lotadas ruas do centro da cidade... Tanta correria, tanta gente se esbarrando em nome da festividade. Em certo momento aquilo me despertou um nojo sem fim; a mim não restava outra opção a não ser fugir daquilo....Assim o fiz, entrando no primeiro ônibus que passou e tentando, quase sufocado, escapar daquele tumulto comercial e cristão...

No ônibus, as coisas tenderiam a ser mais brandas. Pelo menos eu poderia sentar, fechar os olhos e esperar até chegar em meu bairro (sem contar, é claro, com a possibilidade de ser mais uma vítima de assalto a coletivos e ter a chance de descontar toda a minha impaciência num ladrãozinho de merda).

Mas, assim não o foi... Ao aturar o congestionamento, preferi observar o que se passava ao redor, no ápice desses dias tão cheios de fraternidade ensaiada.
E não demorou muito até que eu visse algumas pequenas mazelas que passam batidas aos olhos do Papai Noel. Dentre elas, uma me chamou maior atenção: Um pequeno menino (pra não dizer um farrapo humano), negro, maltrapilho, tendo no máximo 1,40m... No balcão de uma lanchonete, tal criatura cutucava as calças das pessoas que estavam ali sentadas enchendo o corpo de gordura trans. Percebi que a cada abordagem, o menino pedia um pedaço de comida ou, num sublime ato de caridade impertinente, que um lanche fosse pago, afinal de contas ele estava com fome e também necessitava enfiar um pouco de gordura trans dentro de si.

Não demorou muito até que o “segurança do estabelecimento”(aspas de suma importância) se aproximasse a partisse pra cima do menino com uma raiva voraz, como se projetasse naquela pobre criatura toda a raiva por seu infortúnio, por sua estupidez, por sua condição social (não muito menos fodida que a do pedinte), por sua insatisfação sexual, anal talvez...Enfim, uma gota de suor escorreu da minha testa quando eu cerrei o punho diante daquele acontecimento repugnante. O brutamontes, gordo, careca e um pouco mais feio que eu, simplesmente partiu pra cima do moleque, com a mão direita fechada, desferindo um soco na cabeça do pedinte... Foi certeiro...Creio que o menino estonteou, pois suas pernas bambearam e ele não esboçou nenhuma reação ou defesa. E antes que tentasse escapar, outro soco foi desferido, dessa vez na região do seu ombro esquerdo (não mais que ossos figuravam por ali). Sem ao menos ter tempo de cair no chão, a criatura já era arrasta para fora da lanchonete...Os clientes do estabelecimento, é claro, fingiam que nada demais tinha acontecido, enquanto o menino com fome ia andando cambaleando pela calçada adjacente.

Percebi, alguns metros adiante, que o menino chorava. Quando o ônibus que me conduzia cruzou a esquina que o pobre guri iria atravessar, coincidentemente, pude estar pouquíssimos metros distante do protagonista do ato já esquecido na lanchonete. Até aí, nada demais... No entanto, ao virar o rosto para dentro do ônibus, pude ouvir nitidamente um grito abafado e quase ininteligível que dizia em baixo e ruim som: “EU TO COM FOME!”. Ao volver o rosto para fora, vi que a criatura gritava e chorava sem ao menos ser percebido pelos transeuntes da fedorenta avenida em que estávamos...

Confesso a vocês que não senti nenhuma pena do menino faminto... O único e real sentimento que me veio à tona naquele momento foi ódio...com todas as letras: ÓDIO. Ódio pela porra da política econômica retroativa, que nada mais faz do que enaltecer a orientação neoliberal do Brasil, gerando todas essas discrepâncias podres, como a que eu presenciei; ódio daquele filho de uma puta da lanchonete, que não necessitava por nada de tamanha agressividade contra uma “ameaça”(aspas de suma importância) indefesa; ódio do espírito de natal e dessa celebração horrenda e libidinosa; ódio da cidade e do estado, ódio dos que já me injuriaram, ódio das poucas mulheres que eu quis e não pude ter, ódio de mim por não ser capaz de conquistá-las, ódio dos versos que eu escrevi e foram desprezados, dos que desprezaram tais versos, dos que me sorriram com falsidade, ódio das palavras(imensamente inúteis nessas horas)...de tudo, de tudo, de tudo... É justo eu me julgar feliz ou algo que o valha diante de um acontecimento dessa natureza?... Pra maioria de vocês pode ser... Pra mim não... Minha sensibilidade não me permite vestir disfarces tão desconfortáveis.

...

O ônibus seguiu o seu trajeto e, em pouco mais de vinte minutos, cá estava eu em Pernambués, adentrando o meu lar temporário e avaliando até que ponto o cotidiano urbano pode servir de ponto de partida para algumas teorizações sobre o próprio sentido de estar vivo.

O menino faminto...bem, esse realmente causou certo desconforto para o resto do meu dia. Aquela imagem e aquele grito ficaram registrados em minha mente pelo resto do dia, refutando qualquer alegria momentânea que me viesse a acontecer e confirmando o quão mesquinha pode ser a vida humana, quando posta de frente com outras vidas humanas...

...


Enfim, aqui estou, nos finais de Dezembro, onde tudo aspira a festividades e eu me preparo para ignorá-las e trancar-me no meu mundinho vazio...Mas, inevitavelmente, alguns pequenos questionamentos ficam a me aperrear:

Por que a filantropia passageira é tão valorizada a ponto de se constituir como prova de cidadania e dignidade em um mundo cristão? Por que será que o fingimento da boa vontade não pode se estender por outras épocas do ano? (não falo de nada perene, mas de algo minimamente regular).

Será que os que se vangloriam da felicidade natalina, não estão a esquecer das próprias regrinhas horrendas da bondade? Será que sabem quem realmente foi Jesus Cristo? Não estariam distorcendo a própria crença e desconstruindo o já distorcido discurso religioso?

Até que ponto os olhos estarão fechados para as merdas do dia-a-dia, já banalizadas e aceitas como normal?

Será que o pretinho que apanhou por pedir comida é menos ser humano que a dondoca gastadora de descendência européia que mora aqui do lado?
Será que um filho da puta de um “segurança de estabelecimento”(aspas de suma importância) tem respaldo moral para agredir um menino faminto, tão ser humano quanto ele?

Puta que pariu! É justo que um farrapo humano apanhe por querer se alimentar, enquanto um bando de gente estúpida se entope de comida até não agüentar mais?

Caralho! Caralho! Caralho!

Essa é a merda de mundo que eu tenho que viver? Essas sãos as merdas de pessoas que eu tenho que observar?

Talvez, para amenizar, eu possa pensar na possibilidade de escolher quem admirar, quem me apaixonar e quem desejar para fazer parte da minha vida. E, de fato, isso ajuda... Mas, até que ponto as amizades e as paixões não se constituem como mais uma forma de camuflar nosso próprio vazio? Honestamente, penso que desenvolver tal raciocínio agora seria loucura, seria remoer algumas cicatrizes e reviver algumas dores traumatizantes...

Deixo aqui um ponto de interrogação permanente, para que, ao menos, eu saiba discernir felicidades momentâneas de fuga desesperada e para que vocês, seres humanos tão estúpidos quanto eu, saibam refletir minimamente sobre suas celebrações e festividades, não deixando de questionar a legitimidade MORAL das putarias que realizam em nome da merda que for.

...

Puta que Pariu!

...

Aquele grito e aquelas lágrimas continuam ressoando em minha mente...

...

martes, diciembre 18, 2007


Estão olhando pra você
Estão falando de você
A chuva é pra molhar você
A guerra é pra matar você

A reza é pra enganar você
Cachorros latem pra você
Estão pensando em você
Cuidado com você!

Quem tem dinheiro, te roubou
Quem tem amante, te traiu
Se alguém partiu, te abandonou
Se ela é puta, te pariu

Se não tem pai, o filho é seu
Se alguém morreu, a culpa é sua
(O prazer é todo seu)
Se você entra, a casa é sua

Olha para os outros e se vê
Todos são espelhos pra você
Só pra você a vida corre
Quando você dorme, o mundo morre...

Até você morrer!

martes, diciembre 04, 2007


Padres, drogas e Nossa Senhora dos Crimes Perfeitos...
é o que eu não canso de lembrar.

Vocês sempre podem sair.
Vocês sempre podem voltar.

Mas quem passa por aqui,
Leva uma tatuagem NA ALMA.

Bem-vindos!