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"...Os outros, os mais dignos, ainda esperavam uma carta na penumbra da caridade pública, morrendo de fome, sobrevivendo de raiva, apodrecendo de velhos na refinada merda da glória. De modo que quando o Coronel Aureliano Buendía o convidou para promover uma conflagração mortal que arrasasse com todos os vestígios de um regime de corrupção e de escândalos sustentado pelo invasor estrangeiro, o Coronel Gerineldo Márquez não pôde reprimir um estremecimento de compaixão.
- Ai, Aureliano - suspirou - eu já sabia que você estava velho, mas só agora é que percebo que você está mais velho do que aparenta..."
"... - O que é que ele diz? - perguntou.
- Está muito triste - Úrsula respondeu - porque acha que você vai morrer.
- Diga a ele - sorriu o Coronel Buendía - que não se morre quando se deve, mas quando se pode."
(Trechos da obra de Gabriel García Marquez)
Por quê o Gabo?
Não, não é nenhuma nostalgia política, muito menos uma saudação à pseudo convalescença do comandante Fidel. E cá pra nós, a cúpula cubana de hoje não é flor que se cheire.
É importante lembrar que os bons escritos sociais iniciam-se desvinculados de qualquer aparato político. As dores, os amores, os saudosismos e as vivências individuais são o ponto de partida de uma verdadeira arte social. Ao escrever o que sente, o sujeito estará automaticamente falando sobre a vida de muitos. Isso, aliás, é um ponto chave da literatura latina; fato bem lembrado pelo MAGNÍFICO poeta de Uruguaiana. Antes de colocar sangue no papel, o escritor tem de colocar o sorriso ou a lágrima do seu viver.
Por quê fiz essa ressalva?
Não sei. Aliás, sei sim...talvez alguma mente vil viesse me questionar sobre a aplicabilidade desses trechos de Gabo. Daí eu tentei responder (através do parágrafo anterior) que QUALQUER escrito está susceptível de diversas outras interpretações, além da mais trivial delas. Trocando em míudos, uma mesma coisa pode ser vista de várias maneiras.
Isso é aplicável?
Sim, garanto que sim. Dentro do MEU contexto atual, essas palavras representam parte do que se passa comigo e com meus demônios. Destaque para o diálogo entre Úrsula e Aureliano Buendía.
A tragédia iminente...
Sem mais, às vezes é melhor que não deixemos nossos sentimentos transparecerem, ainda que isso seja muito mais doloroso...e é isso que eu estou fazendo agora. Mesmo banhado em lágrimas, não deixei (ou tentei não deixar) que a dor se refletisse nas minhas palavras. Sim, eu sei, isso entra em contradição com o estilo latino-americano de escrever. Mas no momento atual, pouco me importa se estou ou não sendo contraditório.
O peito continua sendo a parte mais vulnerável do corpo...
Em silêncio e só...quase uma oração.
Agora...
Basta!
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