Definir é limitar?

Definir é limitar, desde que o objeto seja limitado. Se a pormenorização for possível, definir é ilimitar e limitar é indefinir. Definição é plausível apenas na complexidade. Contudo, o que há de mais complexo detém toda a simplicidade, sendo que o simples, aparentemente, não é complexo. Assim, definir a complexidade é indefinir a simplicidade; e, como simples e complexo estão sempre próximos, definir é INdefinir e REdefinir é DESdefinir. Se a definição nega a si mesma, o limitado definido se tornará o indefinido ilimitado. A limitação também nega a si mesma de modo que, somando a negação do definir (e do indefinir) à limitação negada, adentraremos um redundante caminho em que as pormenorizações (possíveis ou não) se farão ineficazes. No final das contas, independente do objeto ao qual nos referimos, qualquer forma de explicação é insuficiente. Uma vez que o simplificar é vil e o dificultar é inútil, por mais simples ou mais complexa que seja uma percepção, ela será pífia se tentarmos descrevê-la. O mais lúcido é que deixemos as percepções brotarem nas mentes e corações, sem que tenhamos necessidade de descrever coisa alguma. Expliquemos com olhares, com gestos, com o semblante. Que as palavras sejam evitadas e que os sentimentos falem por nós! Aí sim, teremos efetivamente um rol de ilimitações a nos guiar. Quer seja definido, quer seja indefinido...desfrutemos do ilimitado!
Moral da história: Wilde tinha razão.


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