miércoles, septiembre 12, 2007

Limites no limite

Sóbrio, extremamente sóbrio...

As cordas novas do violão me dão um tom, ainda que desafinado pela demora de adaptação da Gianinni, suave e agradável. Vou dedilhando, um tanto sem jeito, os lindos acordes do insano portenho. Ao tentar cantar, os soluços se misturam com as frases da canção... e eu sinto nitidamente o preço da sinceridade, da sutileza e da poesia.

Precisaria, oh céus e infernos, ser visto e encarado como uma mera criança estúpida? Seria realmente justo que a solidão triunfasse de tal maneira que a única e simples vontade de sair da resignação se convertesse no mais covarde (auto) desprezo?

Não exatamente justo. Muito menos injusto.

Hoje, assim como nos últimos 21 anos, 9 meses e 28 dias, tive a dignidade de transpor em mim, unicamente, toda a culpa pelo malogro que se fez/faz presente.
Em vez da mulher, tenho o desgarramento da cama vazia. Nunca que dormir e acordar só me causou tamanho pavor. Por vezes, tenho medo de abrir os olhos e perceber que o lado direito da cama está vazio.
Mas aí... o claro e o frívolo do quarto tomam forma.

Não há para quem oferecer sorrisos
Não há para quem destinar os versos
Não há um cheiro nem um toque
Não há a leve junção dos lábios (nem os lábios a serem tocados)
Não há o encontro dos corpos e das almas
Não há o abraço singelo e carinhoso
Não há a sensação de abrigo (nem a de estar abrigando)
Não há...
Não há...
Não há...


Não obstante, tenho o mais puro brio de estufar o peito, levantar o rosto, banhado em lágrimas, e dizer, de um jeito menos soberbo que suplicante: "Sim, assumo... a culpa é unica e exclusivamente minha. Bem por isso, devo pagar pela culpa. Pagar caro"

Um sorriso mordaz no instante em que o pequeno orgulho demancha-se em pedaços. Volto a chorar feito uma criança sem, no entanto, renegar a própria culpa.

Eu vezes eu... somos parte da mesma jornada.


Perco a distinão exata entre realidade e transe. Às vezes pareço tomado de um pavor descontrolado.

No fim das contas, a cama está vazia...
No fim das contas, o quarto está vazio...

No fim das contas, O MUNDO ESTÁ VAZIO!


Jamais reneguei culpa!